Cognitivo Comportamental – Brasília

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Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)


O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais em decorrência de o portador ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que, em geral, representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros.

 

Quando se recorda do fato, ele revive o episódio, como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento que o agente estressor provocou. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais.

 

Aproximadamente entre 15% e 20% das pessoas que, de alguma forma, estiveram envolvidas em casos de violência urbana, agressão física, abuso sexual, terrorismo, tortura, assalto, sequestro, acidentes, guerra, catástrofes naturais ou provocadas, desenvolvem esse tipo de transtorno. No entanto, a maioria só procura ajuda dois anos depois das primeiras crises.

 

Recente pesquisa desenvolvida pela UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e por outras universidades brasileiras, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, levantou a hipótese de a causa do transtorno estar no desequilíbrio dos níveis de cortisol ou na redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro.

 

Sintomas

Os sintomas podem manifestar-se em qualquer faixa de idade e levar meses ou anos para aparecer. Eles costumam ser agrupados em três categorias:

1. Reexperiência traumática: pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem à lembrança do trauma, flashbacks, pesadelos;

2. Esquiva e isolamento social: a pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas do trauma;

3. Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância.É comum o paciente desenvolver comorbidades associadas ao TEPT.

 

Diagnóstico

O DSM-IV (Manual de Diagnóstico dos Distúrbios Mentais) e o CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) estabeleceram os critérios para o diagnóstico do transtorno do estresse pós-traumático.

O primeiro requisito é identificar o evento traumático (agente estressor), que tenha representado ameaça à vida do portador do distúrbio ou de uma pessoa querida e perante o qual se sentiu impotente para esboçar qualquer reação. Os outros levam em conta os sintomas característicos do TEPT.

 

Tratamento 

São opções de tratamento a terapia cognitivo comportamental e a indicação de medicamentos ansiolíticos, quando necessários.

 

Recomendações

* Preste atenção: o número de diagnósticos de transtorno do estresse pós-traumático tem aumentado nas últimas décadas. Procure assistência médica, se apresentar sintomas que possam ser atribuídos a esse distúrbio da ansiedade;

* Lembre-se de que a ocorrência de um agente estressor não significa que a pessoa vai desenvolver TEPT: algumas são mais vulneráveis e predispostas;

* Não subestime os sintomas do transtorno em crianças e idosos depois de terem vivenciado situações traumáticas.

 

 

Drauzio Varella



TCC no Transtorno do Pânico e Agorafobia


Transtorno do pânico é um transtorno de ansiedade que envolve ataques de pânico inesperados (4 a 13 sintomas físicos e/ou cognitivos, como medo de morrer, desmaiar…). Com frequência é acompanhado por agorafobia e geralmente co-mórbido com outros transtornos de ansiedade, depressão, hipocondria, abuso e dependência de álcool e transtornos de personalidade esquiva, dependente e histriônica. Pessoas com pânico relatam maior taxa de sintomas gastrintestinais em comparação com indivíduos sem o transtorno.

 

Os modelos Cognitivo-comportamentais do Transtorno do Pânico dão importância central no papel da cognição no desenvolvimento e na manutenção do pânico (temor de sensações de ansiedade, atenção a sensações físicas e cognições relacionadas a ameaças).

 

 

Sensibilidade a Ansiedade

É a tendência a fazer interpretações catastróficas dos sintomas físicos. Evidencias sugerem que a sensibilidade à ansiedade prediz vulnerabilidade ao Transtorno do Pânico.

 

 

Atenção às Sensações Físicas

 Indivíduos com transtorno do Pânico apresentam aumento de atenção às sensações físicas.

 

 

Cognições Relacionadas a Ameaças

Pensamentos catastróficos, expectativas de perigo, vieses no processamento das informações, crenças subjacentes acerca do controle pessoal e tendência a superestimar seu nível de medo quando antecipam situações de exposição.

Principais características comportamentais que contribuem para a manutenção do transtorno do pânico incluem evitação, fuga e comportamentos de segurança.

A TCC visa aumentar a consciência dos participantes relativa à avaliação das sensações corporais associadas ao ataque de pânico, focalizando nas interpretações das sensações físicas e situações testadas por meio de diálogos e experimentos.
Uma comparação entre TCC, farmacoterapia e placebo mostrou que a TCC e a farmacoterapia são ambos mais eficazes do que placebo, entretanto se comparado as outras duas modalidades, a TCC apresenta menor risco de desistência terapêutica, risco mais baixo de recaídas e as evidências que sugerem efeitos mais duradouros após a descontinuação do tratamento.

Os principais componentes da TCC para o tratamento do transtorno do pânico são:

 

Psicoeducação

Informações sobre os ataques e a natureza do transtorno do pânico são essenciais para a redução da ansiedade, o terapeuta demonstra o material de forma interativa utilizando descoberta guiada, questionamento socrático.

 

Estratégias Cognitivas

As interpretações inadequadas das sensações corporais são importantes no desenvolvimento e na manutenção do pânico. O terapeuta encoraja o paciente a questionar pensamentos que antecedem momentos de ansiedade, com o intento de revisar as distorções cognitivas, como catastrofização e superestimação da probabilidade. Estratégias cognitivas diferentes são utilizadas no tratamento para desafiar os pensamentos ansiosos e encorajar avaliações mais realistas (busca de evidências, análise da relação custo-benefício, experimentos comportamentais…).

 

Estratégias baseadas na exposição

 Ajudar os pacientes a confrontarem gradualmente situações e sensações físicas temidas por meio de imaginação ou in vivo, até que a redução do medo seja alcançada.

 

Estratégias de tratamento adicionais conforme necessário

A adição de estratégias extras no tratamento pode se fazer necessário, podendo ser ministrada individualmente, como por exemplo, treino de respiração, relaxamento, educação dos membros da família, sessões para conflitos conjugais, dentre outras.

 

 

Júlio Alves


Bibliografia

Bieling, P. J., Mccabe, R. E., & Anotony, M. M. (2008). Terapia cognitivo-comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed.
King, A. L. S., Valença, A. M., Melo-Neto, V. L. d., & Nardi, A. E. (2007). A importância do foco da terapia cognitivo-comportamental direcionado às sensações corporais no transtorno do pânico: relato de caso. Revista de Psiquiatria Clínica, 34, 191-195.
Manfro, G. G., Heldt, E., Cordioli, A. V., & Otto, M. W. (2008). Terapia cognitivo-comportamental no transtorno de pânico. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s81-s87.

 

Todos os direitos reservados. É proibido a reprodução integral ou parcial sem autorização.



TCC no Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)


O Individuo com Transtorno de Ansiedade Social possui como característica o medo extremo de situações sociais ou de desempenho nas quais as pessoas possam ser julgadas ou humilhadas por outras. O diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social exige que as situações fóbicas quase sempre desencadeiem reação de ansiedade (como um ataque de pânico). O indivíduo deve reconhecer que seu medo é excessivo ou não realista, deve evitar a situação ou suportá-la com extremo desconforto e vivenciar interferência ou sofrimento clinicamente significativo como resultado do transtorno. Quando o medo do individuo ocorre na maioria das situações sociais, refere-se ao Transtorno de Ansiedade Social como “generalizado”.

 

Existem vários modelos Cognitivo-comportamentais do Transtorno de Ansiedade Social e todos compartilham a suposição de que a ansiedade social é mantida pelas crenças, pressupostos e previsões do indivíduo, bem como por sua tendência a evitar situações sociais e adotar vários comportamentos de segurança para lidar com a ansiedade.

 

O individuo com Transtorno de Ansiedade Social possui crenças e pressupostos como, primeiro, motivação mais forte para passar boa impressão aos demais. Segundo, acreditar ter a probabilidade de se comportarem de forma que Será considerada incompetente e inapropriada ao se depararem com situações sociais. Terceiro, eles acreditam que sofrerão consequências desastrosas como resultado de seu comportamento nas situações sociais. Quarto, tendem a se ver na perspectiva do observador ao confrontarem situações sociais.

Os principais componentes no tratamento do Transtorno de Ansiedade Social são:

 

Psicoeducação

Pode ser em forma de leituras, demonstrações, apresentações didáticas ou vídeos. A psicoeducação tende a envolver uma porção maior das sessões iniciais do tratamento em comparação com as sessões finais, que focalizam mais a pratica das novas habilidades aprendidas.

 

Estratégias Cognitivas

As técnicas cognitivas são utilizadas com o intento de: Compreender a Conexão dos pensamentos as situações e afeto; Buscar evidências e distorções cognitivas, Realizar Experimentos e; Explorar crenças e pressupostos subjacentes.

 

Exposição

A exposição é praticada dentro e fora das sessões de terapia, de forma gradual. As exposições geralmente podem ser simuladas e encenações comportamentais, uma forma de exposição que se assemelha com a situação real temida. Este tipo de exposição é útil quanto à prática da exposição real se torna inviável ou quando o cliente acha inicialmente muito difícil praticar a exposição real. Geralmente é utilizada com fotos, óculos tridimensionais ou encenações.

 

Treinamento de habilidades sociais

Essencialmente o processo envolve ensinar os pacientes a identificar ausência de habilidades em contextos sociais ou comportamentos relativos à comunicação que gostariam de modificar. è útil começar fazendo os pacientes identificarem comportamentos sociais que gostariam de trabalhar.

 

Júlio Alves


Bibliografia

Bieling, P. J., Mccabe, R. E., & Anotony, M. M. (2008). Terapia cognitivo-comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed.
D’El Rey, G. J. F., & Pacini, C. A. (2006). Terapia cognitivo-comportamental da fobia social: modelos e técnicas. Psicologia em Estudo, 11, 269-275.
Ito, L. M., Roso, M. C., Tiwari, S., Kendall, P. C., & Asbahr, F. R. (2008). Terapia cognitivo-comportamental da fobia social. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s96-s101.

 

Todos os direitos reservados. É proibido a reprodução integral ou parcial sem autorização.



TCC no Transtorno Obsessivo-compulsivo


Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes vivenciados como intrusivos, que o individuo tenta ignorar ou suprimir com outro pensamento ou ação (compulsão). Geralmente incluem medo de contaminação, dúvidas sobre ações, crenças religiosas, imagens e pensamentos sexuais, pensamentos agressivos, pensamentos de causar danos acidentais a si próprio ou aos outros e impulsos para fazer com que as coisas sejam exatas simetricamente ou corretas.

 

As Compulsões são utilizadas com o objetivo de reduzir o sofrimento provocado pelas obsessões ou impedir que algo de ruim ocorra.

 

Existem seis domínios de crenças relevantes no Toc:

1. Responsabilidade inflada:

2. Importância exagerada dos pensamentos;

3. Preocupação excessiva com a importância de controlar os próprios pensamentos;

4. Superestimação de ameaças;

5. Intolerância a incerteza e ;

6. Perfeccionismo.

 

A crença que o individuo tem sobre suas próprias crenças é denominado metacognição, controlar e evitar pensamentos intrusivos é uma metacognição. A crença que os pacientes possuem de suas obsessões é o que mantêm o transtorno.

 

O pensamento mágico consiste em presumir que há associações entre eventos que na realidade não estão relacionados (se pisar na linha, minha mãe vai morrer).

 

A fusão pensamento-ação refere-se à tendência de ver pensamentos e ações como equivalentes, se eu pensar em machucar um amigo, moralmente é a mesma coisa ou terei maior probabilidade em fazer.

 

O pensamento perfeccionista é expresso pela preocupação em excesso com o ato de cometerem erros, pacientes com TOC podem relatar duvidas excessivas quanto ao fato de terem feito as coisas corretamente.

 

As pessoas com TOC com freqüência julgam as situações muito mais perigosas do que de fato são, o que é denominado Superestimação da ameaça.

 

Comportamentos de esquiva são utilizados por pacientes com TOC frequentemente com o intento de fugir de situações estressoras, podem se utilizar de esquivas cognitivas o que é considerado contraproducente, servindo para manter a ansiedade e o desconforto a longo prazo.

 

Os principais componentes da TCC no tratamento do TOC são:

 

Psicoeducação

A psicoeducação pode ocorrer na forma de apresentações didáticas, demonstrações, leituras ou vídeos.

 

Exposição

Antes da exposição é importante apresentar a base racional dos procedimentos de maneira coerente e convincente.

 

Prevenção de Rituais 

Os pacientes devem entender que utilizar compulsões para diminuir o medo prejudica a exposição, sendo melhor prevenir todos os rituais.

 

Estratégias cognitivas

Normalizar pensamentos intrusivos, corrigir avaliações defeituosas, gerar crenças alternativas, examinar as evidências de crenças especificas, esforços para neutralizar pensamentos intrusivos, testar crenças por meio de experimentos comportamentais e mudança de crenças metacognitivas.

 

Júlio Alves


Bibliografia

Bieling, P. J., Mccabe, R. E., & Anotony, M. M. (2008). Terapia cognitivo-comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed.
Cordioli, A. V. (2008). A terapia cognitivo-comportamental no transtorno obsessivo-compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s65-s72.
Knapp, P., & Beck, A. T. (2008). Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s54-s64.
Raffin, A. L., Ferrão, Y. A., Souza, F. P. d., & Cordioli, A. V. (2008). Fatores preditores de resultados no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo com as terapias comportamental e cognitivo-comportamental: uma revisão sistemática. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul,
Rosario-Campos, M. C. d., & Mercadante, M. T. (2000). Transtorno obsessivo-compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, 22, 16-19.

 

Todos os direitos reservados. É proibido a reprodução integral ou parcial sem autorização.



Hipnose e TCC


Atualmente, diversas pesquisas e estudos empíricos estão sendo desenvolvidos, objetivando o aprimoramento e a desmistificação da hipnose. Nesse sentido, a utilização de sessões de hipnose nos processos terapêuticos envolvendo transtornos alimentares, de ansiedade, sono, depressão, fobias e o uso de substâncias, principalmente, tem apresentado resultados significativos.

 

Hipnose é utilizada como ferramenta coadjuvante em diversas abordagens, a junção desta com a terapia cognitivo comportamental forma a Hipnoterapia Cognitiva, pois engloba aspectos da hipnose clínica e da abordagem cognitivo-comportamental para o tratamento das psicopatologias. Trata-se de uma metodologia desenvolvida recentemente, de caráter integrativo, e que tem auxiliado efetivamente no esbatimento de sintomas específicos e na resolução de diversos problemas.

 

O processo da hipnoterapia cognitiva envolve o trabalho com diferentes crenças e estratégias comportamentais, numa associação entre a hipnose clínica com a Terapia Cognitiva tradicional e/ou a Terapia do Esquema. Através de técnicas próprias e o uso de imagens mentais, o paciente é levado a confrontar crenças disfuncionais e a desenvolver estratégias de enfrentamento mais adaptativas e eficazes.

 

Com isso, espera-se diminuir a intensidade do sofrimento manifestado pelo sujeito, otimizando o processo terapêutico. Da mesma forma, com a hipnoterapia cognitiva, objetiva-se promover a prevenção de recaídas e o aumento da qualidade de vida, tornando a abordagem uma terapêutica complementar eficaz no tratamento de diversas psicopatologias e problemas em geral.

 

 

adaptado de Diego Schmidt



TCC na Depressão


Um episódio de depressão maior envolve pelo menos 2 semanas de humor deprimido ou perda de interesse, acompanhada por quatro ou mais sintomas.

 

O episódio depressivo pode ser categorizado, quanto a gravidade em leve, moderado, grave ou grave com características psicóticas.

 

Os sintomas podem se apresentar de forma mais duradoura, pelo menos dois anos de humor cronicamente deprimido sem períodos de ausência de sintomas maiores do que 2 meses por vez, acompanhado de dois outros sintomas.

 

Como resultado da perda de reforço das atividades habituais, a pessoa deprimida abandona muitas atividades. Mesmo aquelas que são realizadas são vistas como obrigações e absolutamente não prazerosas. A ativação comportamental pode aumentar o nível de energia da pessoa deprimida e montar o cenário para as estratégias cognitivas. Assim o aumento da energia física e das percepções de auto-eficácia do paciente torna-se muito útil quando o terapeuta começam a trabalhar com as cognições depressivas. 

 

Estratégias como registro de pensamentos, experimentos, resolução de problemas e os exercícios envolvendo crenças condicionais e nucleares são utilizadas. O paciente deve monitorar seus pensamentos, as primeiras discussões sobre “pensamentos” ocorrem em torno de alterações de humor específicas identificadas pelo paciente.

 

Por meio de experimentação e protocolos baseados em evidências a TCC demonstrou ser superior a vários outros tratamentos.

Júlio Alves

 


Bibliografia

Barlow, D. H. (2009). Manual clinico dos transtornos psicológicos: tratamento passo a passo. Porto Alegre: Artmed.
Beck, J. S. (1997). Terapia cognitiva – Teoria e prática. Porto Alegre: Aartmed.
Bieling, P. J., Mccabe, R. E., & Anotony, M. M. (2008). Terapia cognitivo-comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed.
Powell, V. B., Abreu, N., Oliveira, I. R. d., & Sudak, D. (2008). Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s73-s80.

 

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Estratégias Cognitivas e Comportamentais


Empirismo colaborativo, o diálogo socrático e a descoberta guiada são caracterizados como estratégias de mudança, fatores comuns a muitas técnicas da terapia cognitiva.

 

O Empirismo colaborativo é alcançado quando paciente e terapeuta unem forças para investigar pensamentos e experiências de uma maneira derivada do método cientifico através o desenvolvimento de hipóteses em relação aos pensamentos por meio de análise lógica de forma colaborativa, pois as técnicas para mudança são compartilhadas entre a dupla.

 

O diálogo socrático é constituído por uma série de perguntas de final aberto e de mente aberta com o intento de trazer uma conexão mais lógica e racional das experiências interiores do indivíduo. Método descrito por quatro passos básicos:

1. Caracterização do problema de forma específica e precisa;

2. Identificação do pensamento e crenças;

3. Compreensão do significado dos pensamentos para o paciente;

4. Avaliação das consequências dos pensamentos e suas bases de evidência.

 

A descoberta guiada ajuda a lançar luz sobre o significado dos pensamentos e sobre problemas de lógica ou a criar situações a partir das quais o paciente aprenda novas informações e diferentes formas de pensar, agir e sentir.

As técnicas cognitivas são agrupadas em 4 grupos:

1. Conexão entre pensamentos, situações ativadoras e evocação de afetos negativos;

2. Uso da busca de evidências e distorções cognitivas;

3. Uso de experimentos;

4. Exploração de crenças e pressupostos subjacentes.

 

Conexão dos pensamentos as situações e afeto

O paciente é encorajado a se perguntar o que pensavam em determinadas situações, entretanto muitos podem ter dificuldade de lembrar ou examinar o pensamento, o terapeuta pode utilizar várias outras alternativas.

Existem muitos formulários de registros de pensamentos que podem ser utilizados com este intento, comumente são adaptados para cada tipo de transtorno, mas quase todos possuem colunas que representam a situação, a emoção ou sintoma, e os pensamentos. O preenchimento pode exigir certa prática, muitos podem sentir desconforto em anotar seus pensamentos e mesmo os membros que não tiverem dificuldades de anotar podem provavelmente não registrar os pensamentos “quentes”. Por meio de questionamento e diálogo o terapeuta pode ajudar o paciente a refinar a habilidade de registrar pensamentos e se tornar mais ciente dos pensamentos “quentes”.

 

Uso da busca de evidências e distorções cognitivas

Utilizando uma abordagem socrática os pacientes aprendem a questionar as evidências em torno de um pensamento angustiante buscando uma visão mais ampla da situação, entretanto o exame das distorções não representa o “pensamento positivo”. Os terapeutas fazem perguntas que (1) Verificam todos os parâmetros situacionais relacionados ao pensamento negativo; (2) Solicitam que os pacientes mudem de perspectivas, percebendo a situação “através” de outras pessoas; (3) Fazem os pacientes focalizarem informações incompletas ou indefinidas. Diante das novas informações o terapeuta solicita ao paciente que considere um “pensamento alternativo” que leve em conta todas as evidências.

A compreensão das distorções cognitivas ajuda no rápido ataque aos seus próprios erros cognitivos.

 

Experimentos

O uso de experimentos pode ser necessário para complementar informações por meio da criação de hipóteses e a maneira de testá-la, tal hipótese pode ser confirmada ou não. No contexto grupal, as hipóteses e os métodos do experimento são influenciados de forma mais complexa pelo grupo inteiro, a dupla paciente e terapeuta podem contribuir com sugestões novas e úteis para testar as idéias.

 

Exploração de crenças e pressupostos subjacentes

Um conjunto de pensamentos automáticos com o mesmo tema podem dar indícios de crenças mais arraigadas dos pacientes sobre si mesmos, outros ou o mundo. Uma das características da terapia é ajudar ao paciente a compreender suas crenças subjacentes, possibilitando que alterem os fatores que fazem surgir seus pensamentos disfuncionais e consequentemente suas emoções.

A técnica seta descendente é uma das estratégias mais comuns para identificar crenças. Através de um pensamento automático os pacientes são estimulados a aprofundar seu nível de afeto e a explorar o pensamento.
Dando seguimento o terapeuta deve explorar as estratégias compensatórias verificando juntamente com o paciente se estas são adaptativas ou não, procurando reduzir a confiança nas crenças disfuncionais e rígidas. Crenças mais equilibradas e menos rígidas com freqüência emergem do diálogo socrático.

Antes de adentrar nas intervenções relativa às crenças centrais o terapeuta explica como estas foram criadas e ativadas no decorrer da vida, não são acidentais ou aleatórias, e sim resultados compreensíveis das experiências. Esses tipos de crenças podem ser “reaprendidos” com ajuda da experiência terapêutica.

Umas das estratégias mais utilizadas em transtornos dos quais o medo e a evitação sejam características importantes são as baseadas em exposição, segue abaixo alguns tipos de exposições.

 

Exposição in vivo

A prática envolve confrontar diretamente um objeto ou situação temida. A exposição é praticada entre as sessões e também pode ser praticada no consultório.

 

Exposições simuladas e encenações comportamentais

Uma forma de exposição que se assemelha com a situação real temida. Este tipo de exposição é útil quanto à prática da exposição real se torna inviável ou quando o cliente acha inicialmente muito difícil praticar a exposição real.
Geralmente é utilizada com fotos, óculos tridimensionais ou encenações entre os membros do grupo como no THS.

 

Exposição imaginária

Consiste na apresentação do estimulo temido por meio da imaginação. A exposição pode envolver (1) descrever uma lembrança ou imagem temida em voz alta, (2) O terapeuta ler a descrição de uma imagem ou cenário temido para um cliente ou (3) Fazer o cliente trazer silenciosamente uma imagem temida a mente. Entretanto as imagens são utilizadas de acordo com cada paciente.

 

Exposição aos sintomas

Evolve a prática de exercícios projetados para induzir vários sintomas e sensações temidas, até que não sejam mais assustadores (também conhecida como “exposição interoceptiva”).

A hierarquia de exposição é uma lista de exposições referente ao objeto temido, incluem uma lista de itens começando pelos mais fáceis até os mais difíceis.

 

Habilidades sociais

O treinamento de habilidades sociais é inserido com freqüência no tratamento de diversos transtornos. Essencialmente o processo envolve ensinar os clientes a identificar ausência de habilidades em contextos sociais ou comportamentos relativos à comunicação que gostariam de modificar. è útil começar fazendo os clientes identificarem comportamentos sociais que gostariam de trabalhar, em vez de o terapeuta indicar problemas nas habilidades sociais que o cliente pode nem ter consciência.

 

O treinamento em resolução de problemas

focaliza a tendência a encarar os problemas de forma vaga, geral e catastrófica e a falha em reconhecer e programar possíveis soluções. Além disso, o treinamento pode focalizar questões relacionadas, como habilidades de administração do tempo e de organização em geral. O treinamento em resolução de problemas incluem cinco passos:

1. Definir o problema;

2. buscar possíveis soluções;

3. Avaliar possíveis soluções;

4. Escolher a melhor solução e;

5. implementar a solução.

Os pacientes devem ser encorajados a praticar ao longo da semana à medida que surgirem problemas no dia-a-dia.

 

Júlio Alves

 


Bibliografia

Bieling, P. J., Mccabe, R. E., & Anotony, M. M. (2008). Terapia cognitivo-comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed.
Knapp, P., & Beck, A. T. (2008). Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s54-s64.

 

Todos os direitos reservados. É proibido a reprodução integral ou parcial sem autorização.

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