Autismo em adultos e TCC: a terapia precisa ser adaptada à pessoa

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O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento. Em adultos, pode estar associado a diferenças na comunicação social, necessidade de previsibilidade, interesses intensos, particularidades sensoriais e formas próprias de organizar a experiência.

A psicoterapia não tem como objetivo “retirar o autismo”. Quando a TCC é usada com adultos autistas, o foco costuma estar em demandas concretas, como ansiedade, depressão, regulação emocional, organização da rotina, manejo de incerteza ou dificuldades específicas de interação.

Uma TCC adaptada

A forma de conduzir a terapia importa. Abordagens mais concretas, estruturadas e explícitas podem ser úteis. Recursos visuais e escritos, exemplos reais e regras de comunicação claras costumam ser melhores do que excesso de metáforas ou pressupostos implícitos.

Habilidades sociais sem apagar diferenças

Treinar uma habilidade social não precisa significar ensinar alguém a parecer neurotípico. O trabalho pode ser direcionado a objetivos escolhidos pelo próprio paciente, como comunicar necessidades, compreender situações específicas, estabelecer limites ou lidar com mal entendidos.

Organização e resolução de problemas

Gestão do tempo, divisão de tarefas, planejamento e solução estruturada de problemas podem ser trabalhados quando essas áreas geram dificuldade. O formato deve considerar a rotina, os interesses e os recursos que já funcionam para a pessoa.

Regulação emocional

Identificar emoções, reconhecer sinais de sobrecarga e construir estratégias de enfrentamento são objetivos possíveis. Em alguns casos, também se trabalha ruminação, intolerância à incerteza e pensamentos negativos associados a experiências repetidas de fracasso, rejeição ou isolamento.

Rede de apoio

Quando o adulto concorda, pessoas importantes da rede podem participar de partes do processo. Isso pode ajudar a tornar estratégias mais aplicáveis à vida cotidiana, sem retirar autonomia do paciente.

Um cuidado importante. A TCC deve ser adaptada ao funcionamento da pessoa autista e às condições que estão sendo tratadas. A proposta não é corrigir traços autistas por si só.
Este texto é informativo e não substitui avaliação clínica individual. Diagnóstico e tratamento devem considerar a história e o contexto de cada pessoa.

Referências

  1. Gaus, V. L. (2018). Cognitive Behavioral Therapy for Adults with Autism Spectrum Disorder.
  2. Gaus, V. L. (2011). Cognitive Behavioural Therapy for Adults with Autism Spectrum Disorder.
  3. Gray, C. (2010). The New Social Story Book.
  4. Myles, B. S., Trautman, M. L., Schelvan, R. L., & Winner, M. G. (2004). The Hidden Curriculum: Practical Solutions for Understanding Unstated Rules in Social Situations.
Júlio Alves

Júlio Alves

Psicólogo, psicoterapeuta, professor e pesquisador. Mestre em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília. Atua com Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia do Esquema e outras estratégias das Terapias Cognitivas.

Conheça a trajetória profissional e acadêmica
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