Cognitivo Comportamental – Brasília

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O que é TCC


O que é Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

“O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que ele faz dos fatos”

Epitetus – Sec. I

Esta frase proferida há tanto tempo atrás sintetiza a premissa básica da Terapia Cognitivo-Comportamental que é: “o que importa é a  forma como entendemos as diversas situações impostas pela vida e não estas situações em si mesmas.” Colocado de outra forma: diferentes pessoas podem ver um mesmo evento e suas conseqüências de formas muito diversas, sendo uma, por exemplo, extremamente pessimista e outra, do contrário, bastante esperançosa.
Um jeito mais didático de aprendermos o que isto significa é comparar este modo particular de enxergar os fatos como uma espécie de óculos que ganhamos quando nascemos… Estes óculos têm uma cor  característica decorrente de aspectos genéticos/ biológicos (nossas tendências inatas, nosso temperamento), mas, no decorrer dos anos, ele vai ficando mais embaçado ou mesmo arranhado devido às nossas vivências com pais, professores, amigos e sociedade em geral. Vamos dar um exemplo para facilitar: alguém nasce com uma “tendência” genética  para a Depressão (com uns óculos mais acinzentados) e, no contato com pais e amigos sempre lhe foi dito que ele “não era capaz de fazer as coisas direito”. Isto pode arranhar a sua lente acinzentada, fazendo com que ele tenha uma crença de que é incapaz. Este sujeito, quando adulto,  se separa da sua esposa que o trai com seu melhor amigo e, sua “lente” que já era cinzenta e arranhada lhe “diz” que esta situação é impossível de ser superada e que ele deve desistir de tudo, ficando muito deprimido e isolado. Sua crença de incapacidade está lhe afirmando isto!
As  lentes, portanto, através das quais o homem deprimido vê a realidade  são lentes distorcidas pela depressão, da mesma forma que um ansioso, vai encarar a vida com lentes distorcidas pela ansiedade, e assim por diante.

A meta da Terapia Cognitivo-Comportamental é tornar as lentes dos pacientes mais transparentes, para que os fenômenos possam ser vistos sem distorções, já que estas distorções cognitivas influenciam  os PENSAMENTOS que, por sua vez, desencadeiam EMOÇÕES e COMPORTAMENTOS. No caso do exemplo acima, o indivíduo, por pensar que sua vida não terá jeito sem a esposa, sente-se triste e age se isolando das outras pessoas.
Podemos sintetizar estas informações apresentando os objetivos principais deste tipo de terapia:

  • Ensinar o paciente a reconhecer as cognições (Pensamentos) de conotações negativas e as conexões entre cognição, afeto e comportamento;
  • Substituir  cognições distorcidas  por interpretações mais orientadas para a realidade.

O trabalho terapêutico não  se trata de  estimular que o paciente tenha “pensamentos positivos”, mas sim de fazer uma análise acurada da realidade, pois ele pode partir de pressupostos “contaminados” por suas crenças a respeito de si mesmo, do mundo e do futuro, as quais podem estar muito distorcidas.
O terapeuta irá levantar hipóteses acerca de como cada indivíduo construiu a sua realidade (aquilo em que acredita, suas crenças) e analisar, assim, os padrões de pensamento gerados por estas crenças, que, quando inadequados ou disfuncionais, criam conflitos e sofrimento para a pessoa.

Todo este trabalho de desfazer as distorções é realizado pela dupla paciente e terapeuta, sendo que este último necessita ter um comportamento dinâmico/ ativo, que avalie cada etapa do processo terapêutico em conjunto com o paciente.

Pensamento Automático

Como já explicamos, o foco do trabalho terapêutico na Terapia Cognitivo-Comportametal é o pensamento, o qual pode ser funcional ou disfuncional. Em um nível mais  acessível, está o que chamamos de “Pensamento Automático”.
Este tipo de pensamento funciona como um telegrama ou torpedo de celular, sendo rápido e resumido. Ele é o pensamento “que pula” quando nos deparamos com alguma situação e que, quando não estamos treinados, nem nos damos conta, mas à medida em que vamos prestando atenção acabamos ficando “mestres” no seu reconhecimento.
No início do tratamento, os pensamentos automáticos muitas vezes são identificados apenas após gerar alguma emoção (como a ansiedade), alteração fisiológica (como o coração disparado) e comportamento (como gritar), no entanto a meta é identificá-los, examiná-los e corrigi-los (se necessário) antes de ocorrerem estas conseqüências.
Vamos dar um exemplo: se estou me atrasando para uma aula posso ter os seguintes Pensamentos Automáticos: “Vou me atrasar”, “Vão rir de mim”, os quais vão gerar ansiedade, meu coração vai disparar e posso desistir de ir para a aula.

Crenças Intermediárias e Centrais

Além dos pensamentos automáticos, as crenças são objeto de estudo da Terapia Cognitivo-Comportamental. Elas podem ser de dois tipos: as Crenças Centrais e as Intermediárias.
Podemos definir as Crenças Centrais, como regras inflexíveis e hipergeneralizáveis que regem a vida do indivíduo e determinam a maneira dele entender o mundo. É aquilo no que o sujeito acredita fortemente, independente do momento ou da situação. Vamos voltar para aquele exemplo do marido que foi traído: ele tem crenças de que “é um fracasso” e de que “é incapaz” e estas idéias vão aparecer mesmo se ele ganhar o Prêmio Nobel!
Já as Crenças Intermediárias são também crenças que o indivíduo tem relacionadas a diversos aspectos da vida que aparecem como pressupostos, regras e atitudes. Elas não são tão rígidas e hipergeneralizáveis como as crenças centrais. Elas se conectam com as Crenças Centrais. Vamos ver um exemplo de Pressuposto… Se alguém tem uma Crença Central que diz “Não sou digno de ser amado”, pode ter uma Crença Intermediária que oriente: “Se fizer tudo que os outros querem, posso ser amado (Positiva). Se não fizer, vou ser desprezado (Negativa). Enquanto este indivíduo conseguir se auto sacrificar e tiver “uma chance” de ser amado (parte Positiva do Pressuposto), poderá se manter funcional, mas no momento em que isto não dá certo, a parte negativa do Pressuposto entra em ação e ele fica deprimido. Um exemplo de Regras é, neste mesmo caso, o sujeito pensar: “Deveria me auto sacrificar sempre” e, de atitude, “Vou me auto sacrificar”.
Durante a terapia, você e seu terapeuta trabalharão para identificar suas Crenças Centrais e Intermediárias para que seja possível “limpar as distorções de seus óculos” e, assim, você possa avaliar os eventos de uma forma mais próxima à realidade, não tendo mais pensamentos, emoções e comportamentos disfuncionais.

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