É comum ficar tenso antes de falar em público, conhecer pessoas novas ou entrar num ambiente em que ninguém é familiar. Na ansiedade social, porém, o medo de ser avaliado, rejeitado, criticado ou humilhado pode se tornar intenso a ponto de limitar escolhas importantes.
A pessoa pode evitar reuniões, apresentações, encontros, festas, entrevistas ou situações simples, como fazer uma pergunta diante de outras pessoas. Quando não consegue evitar, pode suportar a situação com grande desconforto.
O que mantém a ansiedade social?
Modelos cognitivo comportamentais chamam atenção para algumas engrenagens frequentes: previsões negativas sobre o que os outros vão pensar, atenção excessiva aos próprios sinais de ansiedade, imagens mentais de como a pessoa imagina estar sendo vista e estratégias de segurança usadas para “não passar vergonha”.
Essas estratégias podem parecer protetoras. Falar pouco, evitar contato, ensaiar cada frase, esconder as mãos, revisar repetidamente o que vai dizer. O problema é que elas reduzem a oportunidade de descobrir que a situação talvez fosse menos perigosa do que parecia.
Psicoeducação
No início do tratamento, entender o ciclo da ansiedade costuma ser útil. O objetivo é diferenciar ameaça real de ameaça antecipada e reconhecer como pensamentos, sensações físicas, atenção e evitação se alimentam mutuamente.
Estratégias cognitivas
O trabalho pode incluir identificar previsões, buscar evidências, avaliar interpretações, realizar experimentos e explorar crenças ligadas a aprovação, competência e rejeição.
Exposição
A exposição é planejada de forma gradual. Em vez de esperar a ansiedade desaparecer para então agir, a pessoa começa a se aproximar de situações relevantes e aprende, pela experiência, o que realmente acontece. Algumas práticas podem ser simuladas em sessão antes de serem levadas para situações reais.
Habilidades sociais
Nem toda ansiedade social é falta de habilidade social. Quando existe uma dificuldade específica de comunicação, porém, o treino pode ser útil. O foco é escolher comportamentos que a própria pessoa queira desenvolver, como iniciar conversas, expressar opiniões, estabelecer limites ou lidar com situações de interesse amoroso.
Referências
- Bieling, P. J., McCabe, R. E., & Antony, M. M. (2008). Terapia cognitivo comportamental em grupos. Artmed.
- D’El Rey, G. J. F., & Pacini, C. A. (2006). Terapia cognitivo comportamental da fobia social: modelos e técnicas. Psicologia em Estudo, 11, 269 275.
- Ito, L. M., Roso, M. C., Tiwari, S., Kendall, P. C., & Asbahr, F. R. (2008). Terapia cognitivo comportamental da fobia social. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s96 s101.


